A transformação econômica e social acaba com o “tabu” dos asilos – os mais velhos querem, antes de mais nada, autonomia e, em caso de necessidade, decidem cada vez mais pela ajuda profissional
(La transformación económica y social acaba con el tabú de los asilos - Los mayores quieren ante todo autonomía y, en caso de necesidad, se decantan cada vez más por la ayuda profesional)
Traduzido por: Christiane Faria Astério
A geração de mulheres mais generosas que esse país teve chega ao seu fim. Mulheres que criaram seus filhos e cuidaram de seus pais idosos não vão se repetir. Acabaram. Mas, todavia, aí estão, muitas delas já pensionistas, fazendo um último favor ao Estado: seus ancestrais morrerão em casa, bem cuidados, em troca de um pequeno pagamento com que a Lei de Dependência remunera anos de dedicação e falta de férias.
(La generación de mujeres más generosa que ha tenido este país toca a su fin. Las que criaron a sus hijos y cuidaron de sus padres ancianos no va a repetirse. Se acabó. Pero todavía están ahí, pensionistas ya muchas de ellas, haciéndole al Estado un último favor: sus mayores morirán en casa, bien cuidados, a cambio de una magra paga con la que la Ley de Dependencia remunera años de dedicación y falta de vacaciones).
Porque se todas elas, cuidadoras eternas, pedissem uma vaga a um médico geriátrico para os octogenários e nonagenários aos quais atendem, queria ver de onde a administração iria tirar tantas vagas.
(Porque si todas ellas, cuidadoras eternas, pidieran una plaza en un geriátrico para los octogenarios y nonagenarios a los que atienden, a ver de dónde iba a sacar la Administración tantas plazas de residencia como harían falta).
E sua generosidade não acaba aí. Elas têm um último pedido: que suas filhas não repitam os passos que elas deram, que a geração sucessora não tenha que cuidar delas o tempo inteiro. É isso que todas resumem na mesma frase: “Eu não quero ser uma carga para meus filhos”. E elas sabem bem do que estão falando, tanto que até ajudam seus filhos com os netos para que aqueles não tenham que abandonar o mercado de trabalho.
(Y ahí no acaba su generosidad. Tienen un último gesto: que sus hijas no repitan los pasos que ellas dieron, que la generación que las sucede no tenga que cuidarlas a ellas a tiempo completo. Eso que todas resumen en la misma frase: "yo no quiero ser una carga para mis hijos". Y saben bien de qué están hablando, tanto que hasta los ayudan con los nietos para que no tengan que abandonar el mercado laboral).
A última pesquisa do Ministério de Saúde e Política Social sobre os maiores de 65 anos aponta a mudança social que virá: a preferência pelos cuidados familiares, quando necessário, caiu entre as mulheres 11 pontos percentuais desde 1993: de 75% para 64%. E o mais espetacular é, sobretudo, o salto, na mesma direção, que deram os homens: em 1993, 84% deles queriam que, na velhice, fossem atendidos pelos familiares mais chegados: a mulher ou os filhos. Agora, só 63% pensam assim. Eles resistiam, mas a realidade se impôs. E são muitas as razões que conbribuem para essa mudança.
(La última encuesta del Ministerio de Sanidad y Política Social a los mayores de 65 años destapa un cambio social que se veía venir: la preferencia por los cuidados familiares cuando necesiten ayuda ha caído entre las mujeres 11 puntos porcentuales desde 1993, de un 75% a un 64%. Y más espectacular es todavía el salto, en la misma dirección, que dan los hombres: en 1993, un 84% de ellos quería que a la vejez los atendieran sus familiares más allegados, la mujer o los hijos. Ahora sólo lo dice un 63%. Ellos se resistían, pero la realidad se ha impuesto. Y son muchas las razones que contribuyen a ese cambio).
As famílias mudaram, não só pela incorporação de seus filhos e filhas ao mercado de trabalho. Mas também pelos próprios aposentados de hoje, que têm um perfil diferente daquele que seus pais tiveram. “Dispõem de uma pensão própria e isso lhes dá certa independência econômica”, diz a professora de Sociologia da Universidade Complutense Margarita Barañano. A isso se deve acrescentar que muitos dos que estão chegando agora à idade de se aposentar não viveram com seus filhos na mesma casa durante anos, porque eles saíram para estudar ou trabalhar. O modelo de famílias agrupadas conforme se conhecia foi perdido. Voltar a viver com filhos, genros e noras debaixo do mesmo teto é mais raro. Cada um tem sua independência.
(Han cambiado las familias, pero no sólo por la incorporación al mercado laboral de los hijos y las hijas. También los propios jubilados de hoy tienen ya un perfil distinto del que tuvieron sus padres. "Disponen de una pensión propia y eso les da cierta independencia económica", dice la profesora de Sociología de la Universidad Complutense Margarita Barañano. A ello hay que añadir que muchos de los que ahora están llegando a la edad de la jubilación no han vivido con sus hijos en la misma casa durante años, porque ellos salieron a estudiar, a trabajar. El modelo de familias agrupadas tal y como se le conocía se fue perdiendo. Volver a vivir con hijos, yernos y nueras bajo el mismo techo se hace más cuesta arriba. Cada uno tiene su independência).
“Além do mais, depender dos filhos não é conviver com eles. Porque os filhos podem ajudar os pais financeiramente pagando alguém que os atenda em casa, por exemplo; mas isso não significa que vivam juntos”, afirma Barañano.
("Además, depender de los hijos no es convivir con ellos. Porque los hijos pueden ayudarles con dinero a pagar a alguien que les atienda en casa, por ejemplo, pero eso no significa que vivan juntos", afirma Barañano).
A residência própria, muito comum na Espanha, é uma vantagem dos aposentados. Não têm que pagar aluguel; portanto, sua pensão pode servir para contratar alguém para cuidar deles. Inclusive para formalizar uma das chamadas hipotecas inversas e optar por uma residência. Apesar disso, “o primeiro critério na hora de comprar uma casa continua sendo a proximidade dos familiares; isso permite que os avós ajudem os netos, mas também contribui para que eles (os avós) se tornem imcumbência dos pais, pelos menos uma certa supervisão”, diz Barañano.
(La vivienda en propiedad, muy común en España, es una ventaja de la que parten los jubilados. No tienen que pagar alquiler, por tanto, su pensión puede servirles para contratar a quien les cuide. Incluso para formalizar una de las llamadas hipotecas inversas y optar por una residencia. A pesar de ello, "el criterio primero a la hora de comprar una vivienda sigue siendo la cercanía a los familiares, eso permite que los abuelos ayuden con los nietos, pero también hacerse cargo de los padres, al menos cierta supervisión", dice Barañano).
Houve um tempo em que os idosos fugiam das residências geriátricas como fugiam da peste. A pesquisa do Ministério de Sanidade e Política Social mostra como esse rechaço é ainda mais acentuado entre os mais velhos, acima dos oitenta. E tinham razão: muitas das instituições geriátricas que eles conheceram eram deprimentes, onde morriam aqueles que não tinham ninguém que cuidasse deles. Asilos, caridade, abandono. Esses conceitos estão se desfazendo. As residências já não têm esse aspecto, isso porque muitas delas ainda não cumprem os requisitos que marcam a nova Lei de Dependência para poder subvencionar sua ocupação de forma pública.
(Hubo un tiempo en que los ancianos huían de las residencias geriátricas como de la peste. La encuesta del Ministerio de Sanidad y Política Social muestra cómo ese rechazo es aún más marcado entre los más mayores, pasados los ochenta. Y tenían razón: muchos de los geriátricos que ellos conocieron eran entonces deprimentes instituciones donde morían los que no tenían a nadie que los cuidara. Asilos, caridad, abandono. Esos prejuicios se están deshaciendo. Las residencias ya no tienen ese aspecto sobrecogedor, y eso que muchas de ellas no cumplen aún los requisitos que marca la nueva Ley de Dependencia para poder subvencionar su ocupación de forma pública).
Ao contrário das idéias preestabelecidas, também contou muito ponto a chegada de imigrantes, que generalizou uma imagem pelas ruas e cidades: o idoso acompanhado em seu passeio diário por alguém que chegou do Equador, Peru, Romência. Não são seus filhos e não tem nenhum problema. “Nesses casos, sobretudo, os filhos supervisionam, ou podem cuidar do idoss parte do tempo, revezando o turno com o trabalhador estrangeiro”, diz a professora Barañano. “E, além disso, foram se tornando comuns as ajudas públicas das prefeituras. Tudo isso permite ao idoso continuar em casa, o que eles sempre preferem.
(En contra de las ideas preestablecidas también ha jugado una gran partida la llegada de inmigrantes, que ha generalizado una imagen por las calles de pueblos y ciudades: el anciano acompañado en su paseo diario por alguien que llegó de Ecuador, Perú, Rumania. No son los hijos y no pasa nada. "En estos casos, las hijas, sobre todo, supervisan, o pueden cuidarlos a tiempo parcial, turnándose con el trabajador extranjero", dice la profesora Barañano. "Y además se han ido generalizando las ayudas públicas de los ayuntamientos. Todo ello les permite seguir en casa, algo que siempre prefieren".)
É certo. Os idosos não necessitarem dos cuidados de seus filhos não significa que queiram sair de casa. 87,3% deles preferem viver na própria residência, mesmo que sozinhos. “Eles preferem estar no seu ambiente o mais que puderem. Ali estão seus livros, suas recordações, inclusive a vizinhança, que sempre dá uma mãozinha. Agora, querem que os profissionais os atendam”, assegura Martín Pindado, presidente do Conselho Estadual de Pessoas Idosas.
(Es cierto. Que los mayores prescindan de los cuidados de sus hijos no significa que quieran salir de su casa. El 87,3% de ellos prefieren vivir en la vivienda propia, aunque sea solos. "Ellos prefieren estar en su entorno hasta que se pueda. Allí están sus libros, sus recuerdos, incluso el vecindario, que siempre echa una mano. Ahora bien, quieren que les atiendan profesionales", asegura Luis Martín Pindado, presidente del Consejo Estatal de Personas Mayores).
“Os dados estão, efetivamente, marcando uma tendência para o crescimento desses serviços em detrimento das ajudas familiares. As pessoas hão de conhecer o valor e a qualidade dos serviços prestados pelos profissionais, pelos cuidadores, pelas residências”, afirma a diretora do Instituto de Idosos e Serviços Sociais (Imserso), Purificación Causapié.
("Los datos están, efectivamente, marcando una tendencia hacia el incremento de los servicios en detrimento de las ayudas familiares. La gente ha de conocer el valor y la calidad de los servicios que prestan los profesionales, los cuidadores de los centros de día, las residencias", afirma la directora del Instituto de Mayores y Servicios Sociales (Imserso), Purificación Causapié).
Antes de abandonar esse capítulo sobre os preconceitos contra a ajuda profissional e as residências; daremos uma olhada no mundo rural, onde as mudanças, como sempre, acontecem mais lentamente. Causapié assinala que a preferência por esses serviços “está relacionada com o nível cultural”, mas crê que o que ocorre entre os povos, dentre os quais 83% dos consultados ainda preferem os cuidados da família, deve-se a outras razões: “O mundo rural conserva laços familiares mais próximos e fortes; além disso, os ambientes são mais amplos, inclusive a relação que se tem com os vizinhos”. Quem não se lembra de Volver, de Pedro Almodóvar, entre muitos outros?
(Antes de abandonar este capítulo de los prejuicios contra las ayudas profesionales, las residencias, hay que echar un vistazo al mundo rural, donde los cambios, como sucede siempre, van más lentos. Causapié señala que la preferencia por los servicios "está relacionada con el nivel cultural", pero cree que lo que ocurre en los pueblos, donde aún el 83% de los consultados se decanta por los cuidados de la familia, se debe a otras razones: "El mundo rural conserva lazos familiares más cercanos y fuertes y los entornos familiares son más amplios, incluida la relación que se tiene con los vecinos". ¿Quién no se acuerda de Volver, de Pedro Almodóvar, entre otras muchas?)
Porém, ainda pesa muito “o que dirão”, inclusive para admitir que um profissional vá entrar na casa durante umas horas para fazer limpeza, comida, ou colaborar com a higiene do idoso. Embora isso também tenha se modificado.
(Pero aún pesa mucho el qué dirán, incluso para admitir que un profesional va a entrar en casa durante unas horas para hacer limpieza, comida, o colaborar con la higiene del anciano. Aunque eso también se ha ido modificando).
São realmente razões econômicas e culturais que estão operando entre os novos aposentados para mudar suas preferências por esses cuidados ou é mais a elevação de uma realidade social contra a qual nada se pode fazer?
(¿Son de verdad razones económicas y culturales las que están operando entre los nuevos jubilados para cambiar sus preferencias por los cuidados o es más bien la asunción de una realidad social contra la que nada pueden hacer?)
Gerardo Hernández, professor de Sociologia da Família e Gerontologia Social na Universidade de A Coruña, se engrandece pelo “obligado te veas...”
(Gerardo Hernández, profesor de Sociología de la Familia y Gerontología Social en la Universidad de A Coruña, se decanta en parte por el "obligado te veas...")
“A expectativa de vida aumentou muito e isso significa mais anos de dependência e novas enfermidades às quais, nem sempre, se podem enfrentar em família. Além disso, antes havia mais filhos para repartir esses cuidados. Cinco filhos para cuidar de dois idosos não é o mesmo que dois filhos para cuidar de quatro. Se se trata de um Alzheimer, por exemplo, necessita-se de uma ajuda mais profissionalizada. Por outro lado, os filhos já têm trabalhos fora de casa e, nem sempre, na mesma cidade ou povoado onde estão seus pais. Por mais amor que se tenha, haverá carências. Por isso estamos solicitando residências, centros de dia, apartamentos tutelados. A realidade é a que impõe”, conclui.
"La esperanza de vida se ha alargado mucho y eso significa más años de dependencia y nuevas enfermedades a las que no siempre se puede hacer frente en familia. Además, antes había más hijos para repartirse esos cuidados. No es lo mismo cinco hijos para cuidar a dos mayores, que dos hijos para cuidar a cuatro ancianos. Si se trata de un alzhéimer, por ejemplo, se necesita una ayuda más profesionalizada. Por otro lado, los hijos ya tienen trabajos extradomésticos y no siempre en la misma ciudad o pueblo donde están los padres. Por mucho amor que se ponga siempre habría carencias. Por eso estamos reclamando residencias, centros de día, pisos tutelados. La realidad es la que obliga", concluye.
E a generosidade com que Delia Otero Díez, aos seus 63 anos, ainda cuida, em casa, de dois de seus quatro filhos. Já têm 35 e 37 anos, solteiros. “Mamãe cuida deles, faz a comida, lava, passa, eles estão bem aqui”, diz sorrindo. Outros dois se casaram. Ela bem poderia pedir que quando estiver desamparada, devolvam-lhe somente a metade dos anos que ela dedicou a eles, mas não quer. “Eles, graças a Deus, têm trabalho e eu não gostaria de deixar-lhes esta carga. Eu prefiro ir para uma casa de repouso, assim eu e meu marido comentamos com os amigos, que iremos todos para a mesma casa e ali passaremos bem”, ri. Logo roconhece que, tampouco, pensa muito nisso. Não tem tempo. Tem a sua mãe em casa, com 93 anos, a quem “tem que fazer tudo”. “Eu creio que se tivéssemos levado para uma casa de repouso, agora não a teríamos aqui, porque ela é muito familiar. E, além do mais, ela sente muita pena de quem está nessas casas”.
(Y la generosidad, porque Delia Otero Díez, a sus 63 años, todavía cuida en casa a dos de sus cuatro hijos. Ya tienen 35 y 37 años, solteros. "Mamá los cuida, les hace la comida, lava, les plancha, ellos están bien aquí", dice entre risas. Otros dos ya se casaron. Bien podría pedirles que cuando ella no pueda valerse le devuelvan sólo la mitad de los años que les dedicó, pero no quiere. "Ellos, gracias a Dios, tienen trabajo y a mí no me gustaría dejarles esa carga. Yo prefiero irme a una residencia, así lo comentamos mi marido y yo con los amigos, que nos iremos todos a la misma y allí lo pasaremos bien", ríe. Luego reconoce que tampoco piensa mucho en ello todavía. No tiene tiempo. Tiene a su madre en casa, con 93 años, a la que "hay que hacerle todo". "Yo creo que si la hubiéramos llevado a una residencia ahora no la tendríamos aquí, porque es muy familiar. Y además, ella siente mucha pena por la gente que está en las residencias").
Delia, que vive em Mejorada Del Campo (Madrid), cuidou de sua sogra, inválida durante 5 anos, por meses, “revezando com as cunhadas”. Também levava seu sogro às diálises. E, há 11 anos, toma conta de sua mãe. Recebe um salário de 387 euros por mês pela Lei de Dependência.
(Delia, que vive en Mejorada del Campo (Madrid), cuidó de su suegra, inválida durante cinco años, por meses, "turnándose con las cuñadas". También llevaba a su suegro a diálisis. Y ya lleva 11 años al cargo de su madre. Recibe una paga de 387 euros al mes por la Ley de Dependência).
Sua mente não imagina, no entanto, uma Delia de 90 anos, que talvez não possa caminhar, ou precise de quem lhe leve comida a boca, colherada a colherada, como ela faz com sua mãe. Isso, todavia, está longe. “Se ainda estamos pensando nos filhos”, ela ri. E nos netos. “Às vezes me deixam só; não muito, não abusam não; mas quando estão por perto é uma felicidade”.
(Su mente no repara todavía en una Delia de 90 años, que quizá no pueda caminar, o a la que le lleven la comida a la boca, cucharada a cucharada, como hace ella con su madre. Eso todavía queda lejos. "Pero si aún estamos pensando en los hijos", se ríe. Y en los nietos. "A veces me los dejan, no mucho, eh, no abusan, no, pero cuando los tengo es la felicidad".)
E como ela anda de saúde? “Bem, meus ossos se ressentem um pouquinho, mas estou bem”.
(¿Y cómo anda ella de salud? "Bueno, mis huesos se resienten, un poquillo, pero bien").
Ela não quer ser uma carga para seus filhos, mas o certo é que, talvez, seus filhos não possam com essa carga. Porque a realidade se impõe. As donas de casa em tempo integral são uma figura em extinção.
(Ella no quiere ser una carga para sus hijos, pero lo cierto es que, quizá, sus hijos no puedan con esa carga, porque la realidad se impone. Las amas de casa a tiempo completo son una figura a extinguir).
A crise econômica, talvez, esteja dando uma trégua aos políticos, que não parecem perceber a avalanche que vem em cima deles. Não há projetos para construir residências onde há necessidade e as creches e os geriátricos seguem sendo o grande programa pendente. Acreditam que as mulheres poderão estender ainda mais o Estado de bem estar que eles nos proporcionam?
(La crisis económica, quizá, está dando una tregua a los políticos, que no parecen entender el alud que se les viene encima. No hay mapas para construir residencias allá donde se necesitan y las guarderías y los geriátricos siguen siendo la gran asignatura pendiente. ¿Confían en que las mujeres podrán estirar aún más el Estado de bienestar que ellos no proporcionan?).
Não poderão. Contudo, a crise está lentificando as demandas. A maioria das ajudas que se concedem por Lei de Dependência são prestações econômicas para as cuidadoras, até uns 57%, muito distante do espírito que publicava esta lei. Pretendia-se com ela que muitas mulheres saíssem para o mercado de trabalho e os cuidados dos idosos ficassem nas mãos de profissionais, em domicílio ou residências geriátricas. Não está sendo assim. Ana Lima, a presidente do Conselho Geral de Trabalhadores Sociais, conta um caso que serve de exemplo. “Há uma senhora que pedia um serviço profissional; porém, uma de suas cinco filhas estava desempregada e preferiram que a essa filha cuidasse dela e recebesse a prestação econômica da lei”, disse.
(No podrán. Pero la crisis está ralentizando las demandas. La mayoría de las ayudas que se conceden por Ley de Dependencia son prestaciones económicas para las cuidadoras, hasta un 57%, muy alejado del espíritu que preconizaba esta ley. Se pretendía con ella que muchas mujeres salieran al mercado laboral y los cuidados de ancianos quedaran en manos de profesionales, a domicilio o en residencias geriátricas. No está siendo así. Ana Lima, la presidenta del Consejo General de Trabajadores Sociales, cuenta un caso que sirve de ejemplo. "Hay una señora que pedía un servicio profesionalizado, pero una de sus cinco hijas se ha quedado en paro y han preferido que sea ella misma la que la cuide y tenga la prestación económica que da la ley", dice).
“A crise está inclinando as pessoas a pedirem a prestação econômica, por causa do desemprego, mas também por causa dos atrasos, desde que foi solicitada, ou desde que o usuário foi reconhecido como dependente, e isso supõe um bom pedaço para uma economia precária”, sustenta Lima. O governo anunciou ontem que pagamentos retroativos acabarão logo.
("La crisis está inclinando a la gente a pedir la prestación económica, por el paro, pero también porque te la dan con atrasos, desde que se cursó la solicitud, o desde que el usuario fue reconocido como dependiente, y eso supone un buen pellizco para una economía precaria", sostiene Lima. El gobierno anunció ayer que los pagos retroactivos se acabarán pronto).
Mas a crise passará e a demanda de residência para os mais velhos e outros serviços intermediários para idades anteriores seguirão seu curso. O número de vagas em residência cubrirá, em 2002, aproximadamente 3,3% da população maior de 65 anos. Em 2009, aumentarão um pouco, até 4,31%. Espanha é, felizmente, um país de mais idade e, como em outros países mais avançados em cobertura social, a população solicitará cada vez mais serviços. Não dependerá somente dos filhos. A única diferença, dizem os que trabalham em assuntos sociais, é que uns serão levados às residências pelos filhos, enquanto outros irão de táxi. Mas as mulheres já não estarão prestando esses cuidados, nem sequer estarão tão preparadas para isso como suas mães estiveram, as quais, por sua vez, aprenderam com suas mães.
(Pero la crisis pasará y la demanda de residencias para los más ancianos y otros servicios intermedios para edades anteriores seguirán su curso. El número de plazas de residencia cubría en 2002 un 3,3% de la población mayor de 65 años. En 2009 aumentaron un poco, hasta un 4,31%. España es un país afortunadamente longevo y, como en otros países más avanzados en cobertura social, la gente demandará cada vez más servicios. No dependerá sólo de los hijos. La única diferencia, dicen los que trabajan en asuntos sociales, es que a unos les llevarán a la residencia los hijos y los otros irán en taxi. Pero las mujeres ya no estarán para prestar esos cuidados, ni siquiera estarán tan preparadas para ello como lo estuvieron sus madres, que a su vez lo aprendieron de las suyas).
“As avós cuidam de seus netos, porque, através de suas filhas, fazem o que elas não puderam fazer: estudar e trabalhar fora. Por isso têm uma sensibilidade maior diante desse problema. Não que não deva existir os cuidados familiares, mas deve ser apenas mais uma peça do quebra-cabeça, “diz a professora de Sociologia da Universidade Carlos III, Constanza Tobío. E prossegue: “Essas mulheres estão ajudando a sociedade a se modernizar cuidando dos netos e aceitando, sem drama, que suas filhas não cuidarão delas. Essa é a geração que mais doa e a que menos recebe. É uma geração de mulheres excepcionalmente generosas”.
("Las abuelas cuidan a sus nietos porque a través de sus hijas hacen lo que ellas no pudieron hacer, estudiar y trabajar fuera. Por eso tienen una mayor sensibilidad hacia ese problema. No es que no deban existir los cuidados familiares, pero deben ser sólo una pieza más del puzle", dice la catedrática de Sociología de la Universidad Carlos III Constanza Tobío. Y prosigue: "Estas mujeres están ayudando a la sociedad a modernizarse cuidando nietos y aceptando, sin dramatismo, que a ellas no las cuidarán sus hijas. Esta es la generación que más ha dado y que menos está recibiendo. Es una generación de mujeres excepcionalmente generosa").
Zulmira Elisa Vono - 2010 / Assessoria de Comunicação - Joseane Astério - Jornalista MTB 25.272?SP Produzido por: http://www.cw3.com.br As informações contidas neste site podem ser reproduzidas desde que citem a fonte.