Situação da pessoa idosa na Espanha por Zulmira Elisa Vono
O processo de envelhecimento e as questões que o envolve, é alvo de discussões e estudos em todo o mundo. O Brasil vivencia este momento face ao sensível aumento do percentual de idosos e da expectativa de vida da população, observada intensamente a partir de 1970. O contraste entre os avanços tecnológicos e científicos e o despreparo dos profissionais e sociedade como um todo, representa um grande desafio. O envelhecimento da população brasileira é um fato comprovado, irreversível e embora tenhamos número elevado de pessoas idosas que preservam sua capacidade funcional, temos alto índice de portadores de doenças crônico-degenerativas, em acentuado declínio das suas funções, dependentes e necessitadas de cuidados especiais.
Este fato precisa ser melhor avaliado, não apenas pelas esferas governamentais, por meio de políticas específicas, mas pela sociedade como um todo, começando por cada um de nós, adultos, que estamos em processo de envelhecimento e muitas vezes não nos preparamos adequadamente.
Uma pesquisa da multinacional de seguro de saúde Bupa, conduzida pela universidade London School of Economics, foi feita em 12 diferentes países com mais de 12 mil entrevistados em junho de 2010. No Brasil, 1.005 pessoas foram ouvidas. Três em cada quatro brasileiros entrevistados disseram acreditar que sua família vai sustentá-los na velhice e acreditam que essa responsabilidade é dos seus familiares e não do Estado e 17% deles têm expectativas positivas de chegar à velhice.
No entanto, 64% dos brasileiros disseram não estar se preparando financeiramente para a velhice. A pesquisa revelou ainda que a principal preocupação das pessoas ao chegar à velhice é com doenças como câncer e demência.
A Espanha é um dos países do continente europeu. É dividido em 17 comunidades autônomas, cada uma com 52 províncias, totalizando 8.111 municípios. Sua extensão territorial é de 504.782 Km². Possui 44.279.182 habitantes (dados de 2007). Sua densidade demográfica é de 89,2 hab/km². O número de idosos é de 10.224.715 o que significa um percentual de 21,87%.
A Espanha será o país mais velho do mundo em 2050, segundo dados das Nações Unidas reunidos em um estudo da socióloga María Teresa Bazo. O relatório, divulgado em uma publicação semestral da Funcas (Fundação das Caixas de Poupança. Computou também a tendência crescente dos idosos de viver sozinhos em uma proporção que alcança 20% desta categoria, quatro pontos percentuais a mais do que há uma década..(Dados do Instituto espanhol de estatística: http://www.ine.es/inebmenu/mnu_cifraspob.htm).
Para efeito de comparação,Minas Gerais é um dos estados brasileiros, o que possui maior número de municípios. Sua extensão territorial é de 586.528 km² e pouco mais de 20 milhões de habitantes distribuídos em 853 municípios. Sua densidade demográfica é de 34,16 hab/km². O percentual de idosos é de 11,8%, segundo últimos dados do IBGE.
Diferentemente da situação vivida na Espanha, contamos com um diminuto número de residências para pessoas idosas e as instituições de longa permanência, em sua grande maioria, não investem na prevenção da senilidade e na promoção do envelhecimento ativo e saudável.
O envelhecimento populacional pode ser considerado como um resultado positivo, mas, é preciso estar atento para o crescimento do número de doenças crônicas e incapacitantes, as quais tendem a aumentar a demanda de procura dos idosos pelos serviços saúde.
O envelhecimento populacional pode ser considerado como um resultado positivo, mas, é preciso estar atento para o crescimento do número de doenças crônicas e incapacitantes, as quais tendem a aumentar a demanda de procura dos idosos pelos serviços saúde.
O aumento do contingente de idosos, prestes a superar o número de crianças e jovens, traz grandes desafios para o Brasil: melhorar a qualidade dos serviços direcionados à pessoa idosa, informar e educar a população e qualificar profissionais.
O Brasil hoje conta com 74 centros de referência do idoso, o que pode ser considerado um ganho para este segmento, mas, segundo especialistas, ainda é insuficiente para atender a demanda crescente.
A relação entre gastos com saúde e a capacidade de pagamento de uma família determina a porcentagem da despesa familiar destinada a tratamentos ambulatoriais, medicamentos, seguros, aparelhos médicos, entre outros. Quando esse gasto com saúde gira em torno de 20, 30 ou 40%, ele é chamado de gasto catastrófico.
O Brasil tem gastos catastróficos e dentre eles, os medicamentos são os responsáveis por mais de 50% das despesas das famílias com gastos catastróficos no geral. Segundo pesquisas realizadas nesse sentido, os gastos catastróficos são maiores nas áreas rurais que nas urbanas.
Os fatores de risco que envolvem as pessoas idosas e os diminutos serviços especializados em atenção à essa parcela da população, eleva os gastos com a saúde.
A Espanha, mesmo com o elevado número de municípios, disponibiliza serviços que garantem uma atenção ampla e efetiva à população idosa. Dignos de exemplo.
Zulmira Elisa Vono - 2010 / Assessoria de Comunicação - Joseane Astério - Jornalista MTB 25.272?SP Produzido por: http://www.cw3.com.br As informações contidas neste site podem ser reproduzidas desde que citem a fonte.