Antes de falar sobre a doença de Alzheimer e de seus cuidados, desejo fazer algumas colocações:
O mundo está envelhecendo e embora o aumento da expectativa de vida seja um triunfo, ele significa também o descortinar de novos desafios e demandas.
A primeira delas é o conhecimento sobre as características que permeiam esta fase da vida humana, diferenciando o que é envelhecimento normal, ou senescência, do processo de senilidade onde há patologias instaladas, desmistificando a associação do envelhecimento só à perdas, tristeza, sofrimento, isolamento social, doenças e morte. O envelhecimento é um processo, ou seja, não acontece quando a pessoa faz 60 anos; vai acontecendo ao longo da vida adulta. É multi causal e multi fatorial, ou seja, são vários os fatores que interferem na forma como a pessoa vai envelhecer e vale lembrar que como se vive, se envelhece. É singular, original, particular e diferenciado. É o mesmo indivíduo que tem reduzido suas potencialidades, ou seja, não é mais capaz de realizar tarefas simples e corriqueiras como quando adulto jovem. Essas alterações fazem parte do processo natural de envelhecimento e não significam doença, embora a grande maioria da população entenda assim. Na verdade, a grande dificuldade de relacionamento dos familiares cuidadores começa por não conhecer essas mudanças que acontecem ao longo dos anos e quando se veem diante do diagnóstico da doença de Alzheimer entram em pânico. Estão preparadas para uma doença física e aguda e não para cuidar de um familiar acometido por uma doença neurodegenerativa que tem um longo percurso.
Ao longo do processo de envelhecimento, a capacidade de adaptação vai diminuindo e as restrições ou limites podem ser um obstáculo para a vida. O desconhecimento das características e peculiaridades inerentes à pessoa idosa fortalece o distanciamento ou a convivência e o cuidado adequado por parte de familiares cuidadores.
Alzheimer é uma doença degenerativa cerebral, crônica e progressiva que provoca perda de habilidades como pensar, memorizar, raciocinar. A doença é ligada à idade, ou seja, quanto mais velha a pessoa fica, maior a possibilidade de desenvolver a doença. Também denominada demência senil do tipo Alzheimer é caracterizado por uma desordem neurodegenerativa, crônica e progressiva onde, entre os neurônios, forma-se um enovelado que dificulta a condução de estímulos e assim, as habilidades de pensar, raciocinar, memorizar, de falar vai acontecendo a cada dia com mais dificuldade, além de produzir alterações no comportamento.
Na doença de Alzheimer, as alterações cerebrais precedem as manifestações clinicas por muitos anos e, alguns autores afirmam que isso pode acontecer 20 anos antes. Esta fase chamada de pré-clínica é silenciosa onde as alterações cognitivas são muito sutis. As visitas médicas periódicas como medida preventiva e o conhecimento não só dos familiares como os de cada pessoa em processo de envelhecimento, são os grandes aliados para o diagnostico precoce e tratamento imediato e assertivo, minimizando os efeitos da doença chamada de o mal do século.
Na fase inicial da doença de Alzheimer, geralmente desconsiderada ou despercebida, as alterações da memória são manifestadas nas ações rotineiras da vida diária. Estão relacionadas à memória de curta duração, recentes, onde ações como, perder a chave do carro, esquecer uma conta a pagar, o aniversário do irmão ou do filho, o nome de uma pessoa próxima, um termo técnico que faz parte de seu linguajar, o nome do filme que assistiu no dia anterior, entre tantos outros lapsos, acontecem a princípio esporadicamente. Nesta fase ainda há a intenção de justificar o lapso, muitas vezes mascarando a falha, usando como estratégia responsabilizar outras pessoas pelo fato dizendo, por exemplo, que alguém tirou a chave do lugar costumeiro, que está tão preocupado que esqueceu até o aniversário do filho, que não gostou do filme por isso não gravou o nome e assim por diante. Considerar o lapso é incomum e poderia ser o inicio de um cuidado específico, pois o diagnóstico precoce é o aspecto dos mais desejáveis para intervenções terapêuticas igualmente precoces da doença de Alzheimer o que proporciona melhor prognóstico e certamente, melhor qualidade de vida, mesmo consciente que ainda não há cura para este mal.
Zulmira Elisa Vono - 2010 / Assessoria de Comunicação - Joseane Astério - Jornalista MTB 25.272?SP Produzido por: http://www.cw3.com.br As informações contidas neste site podem ser reproduzidas desde que citem a fonte.