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A mudança do padrão de comportamento nos cuidados higiênicos


Por Zulmira Elisa Vono

Como já foi dito, cuidar não é apenas um ato e sim uma atitude que requer conhecimento, responsabilidade e, sobretudo afetividade. É também um desafio, que inicia todos os dias, novo, como se fosse uma primeira vez. O fato de ter cuidado de alguém com a mesma patologia e com sucesso, não significa que um cuidador poderá usar as mesmas estratégias e obter resultado satisfatório. Tudo recomeça, de forma impar, individual, sendo um desafio diário.

 

Alguns desafios são comuns, como por exemplo, uma das atividades da vida diária básicas: cuidados higiênicos. Embora a pessoa acometida pela doença de Alzheimer tenha uma demência, ela continua viva e luta pela sua autonomia e independência. Não se torna débil, mas é incapaz de gerir esses cuidados básicos que antes da doença realizava com segurança e eficácia. Como dizer a uma pessoa idosa, que ela não está tomando banho como deveria, ou que não está fazendo a higiene oral de forma adequada? São essas atitudes que o cuidador, mesmo com a melhor das intenções oferece e que pode se transformar em uma grande barreira. A mudança do padrão de comportamento do paciente leva ao desafio para o cuidador.

 

Não diga que a pessoa não está limpa, ou não está cheirosa, ou está com restos alimentares nos dentes, mesmo que isso seja verdade. Isso não é um argumento e sim uma barreira. Procure um atrativo. Lembre-se da sensação que você tem ao tomar um bom banho, ao fazer a higiene oral. Pois é esse prazer, esse sentimento gostoso que você como cuidador deve oferecer e não um banho puro e simples. Esteja também preparado para a recusa, para as agressões físicas e verbais, a despeito das melhores intensões.

 

Essas atitudes fora dos padrões normais de comportamento não vêm da pessoa e sim da doença. Por isso o conhecimento é indispensável. O comportamento inadequado é um sintoma da doença e não uma agressão pessoal. É também importante lembrar que a doença de Alzheimer não muda a personalidade do paciente; pelo contrario, trás à tona características muitas vezes contida e que com a evolução da doença vai sendo liberada.

 

O cuidador deve se preparar e organizar muito bem as ações, o ambiente. Deve antes do banho, verificar se todo material de higiene, toalhas, roupas, calçados, estão disponíveis. Isso dará segurança para que o alvo seja o momento prazeroso do paciente. Envolva-se nesse momento e viva-o também. Não tenha pressa. O tempo para a pessoa idosa acometida pela doença de Alzheimer é muito diferente de quem cuida. Lembre-se ainda como preparamos um banho em um bebe. Lembre-se da emoção, do carinho, da ternura que há nesse momento. Lembre-se da fisionomia bonita que todo bebe fica após o banho. Mais uma vez, é isso que você vai oferecer e desfrutar. O cuidado é uma oportunidade de troca, sempre.

 

Algumas pessoas precisam ser tratadas com firmeza e deverá ser dito, por exemplo, “agora vamos tomar banho”. Outras, ao contrario, não aceitam imposição e uma estratégia é conduzi-las ao banheiro onde, com muito carinho, serão envolvidas na atmosfera do prazer de um banho, podendo ser oferecido o sabonete para cheirar, a toalha de banho para sentir, ver a roupa bonita e limpa que irá vestir, entre outras atitudes afins.

 

Use cremes ou óleos para hidratar a pele, estimule para que penteie os cabelos, maquiagens suaves no caso de mulheres. Deixe que o paciente se veja no espelho, elogie, gratifique-o com o carinho e afetividade. Proponha atividade prazerosa após o banho, como por exemplo, uma volta na rua, um lanche gostoso.

Zulmira Elisa Vono - 2010 / Assessoria de Comunicação - Joseane Astério - Jornalista  MTB 25.272?SP
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