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SEGURANÇA: FATORES DE RISCO E ACESSIBILIDADE

por Zulmira Elisa Vono

O envelhecimento é um processo, multicausal e multifatorial, ou seja, vai acontecendo dia após dia e são várias as causas e fatores que influenciam essa fase da vida. No caso da pessoa acometida pela doença de Alzheimer, esse não é um evento isolado; somam-se fatores ligados ao corpo, à mente, às questões sociais e financeiras, emocionais, sexuais, culturais, espirituais e ambientais.   

O crescente aumento da expectativa de vida dos brasileiros (75,1 anos para mulheres e 67,3 anos para os homens – Censo IBGE 2010) nos coloca ainda mais perto dos fatores de risco associados, sobretudo às doenças crônico-degenerativas como é o caso do Alzheimer, diminuindo a qualidade de vida na medida em que cresce o comprometimento da autonomia e independência das pessoas idosas.

A Politica Nacional de Saúde da Pessoa Idosa preconiza que a pessoa idosa deve ser mantida junto à sua família, mas, a incapacidade funcional é um dos principais fatores de internação em instituições de longa permanência (ILPI), sobretudo nas classes sociais menos favorecidas onde a contratação de um cuidador ou a permanência de um familiar nessa atividade, é algo distante da realidade. Planejar e adaptar o ambiente onde vive uma pessoa idosa constitui medida de prevenção, de promoção e manutenção da saúde e qualidade de vida, a despeito de estar ou não acometida pela doença de Alzheimer. Como o envelhecimento da população brasileira foi um fenômeno que aconteceu em um curto espaço de tempo, não estamos ainda despertos para a prevenção, entendendo que todas as pessoas idosas têm limites da capacidade funcional para as atividades da vida diária (AVD) e que a segurança é fator preponderante na manutenção da qualidade de vida com autonomia e independência. As pessoas, ao constituírem uma família, pensam em edificar ou adquirir a casa própria e focam em espaços que garantam o bem estar dos filhos, mas esquecem de que irão envelhecer e negligenciam ou ignoram os limites inerentes a essa faixa etária. Com os rearranjos familiares, há um grande numero de pessoas idosas que moram sozinhas e o planejamento de um ambiente seguro com as adaptações necessárias, significa diminuição de risco e manutenção da qualidade de vida. 

Os acidentes são a 5ª causa de morte entre pessoas idosas e os que mais levam à incapacidade funcional, sendo decorrentes da instabilidade postural e queda, acidentes de trânsito, queimaduras e envenenamentos. As quedas são as mais frequentes e também as que mais poderiam ser evitadas e infelizmente, 65% das mulheres e 44% dos homens caem dentro de casa e em horário de maior atividade; só 20% acontecem no período noturno.

A segurança, no caso das pessoas acometidas pela doença de Alzheimer, é diretamente relacionada ao somatório da natural diminuição dos reflexos, aumento da instabilidade postural, déficit visual e auditivo próprios da idade e dos déficits cognitivos e qualidade do ambiente em que vive o idoso.

Todo idoso precisa de um ambiente diferenciado, seja ele domiciliar ou institucional, publico ou privado. Devem seguir 12 princípios:

•    Assegurar a privacidade;
•    Dar oportunidade pra interação social;
•    Dar oportunidade para exercício de controle pessoal, liberdade de escolha e autonomia;
•    Personalizar tratamento, objetos e locais;
•    Facilitar a orientação espacial;
•    Garantir a segurança física;
•    Facilitar o acesso a equipamentos e o seu funcionamento no dia-a-dia;
•    Propiciar um ambiente estimulador e desafiador;
•    Facilitar a discriminação de estímulos visuais, táteis e olfativos;
•    Na medida do possível, planejar ambientes bonitos e agradáveis;
•    Adaptar o ambiente ao atendimento de novas necessidades;
•    Tornar o ambiente mais familiar por meio de referências históricas, objetos familiares, e contato com a natureza

 (LAWTON apud REBELATTO; MORELLI, 2007),

É imprescindível que, na prestação de cuidados a idosos com doença de Alzheimer, familiares e cuidadores estejam devidamente orientados em relação às medidas de segurança porque tanto a dependência física quanto a mental constituem fatores de risco significativos para mortalidade. Com o planejamento do ambiente, a adaptação do idoso torna-se mais fácil, os riscos de acidentes menores, e a dependência reduz significativamente trazendo por consequência diminuição de gastos e de desgaste do cuidador e do idoso. O ambiente ideal para um idoso é aquele que assegura privacidade e autonomia, segurança física e emocional além da interação social.

Alguns itens são indispensáveis no ambiente físico: exclusão de obstáculos físicos, melhor iluminação, janelas e portas que permitam trânsito livre e iluminação. Ambientes limpos, arejados e acolhedores. Garantia de acessibilidade a todos os espaços, sobretudo a banheiros e cozinha.  Colocação de barra de apoio em todos os ambientes promovendo e encorajando a deambulação, a independência, a autonomia com segurança.

* Como o assunto é vasto e de extrema importância será complementado.

 

Zulmira Elisa Vono - 2010 / Assessoria de Comunicação - Joseane Astério - Jornalista  MTB 25.272?SP
Produzido por:
http://www.cw3.com.br
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