O Japão é o país que mais envelhece no mundo e hoje 23.2% da população tem 65 anos e mais e cerca de 37.000 centenários. A expectativa de vida das mulheres é de 86 anos, a maior do mundo e dos homens é de 79 anos. Paralelo a isso a numero de mulheres solteiras é 32% e homens de 47%. Esse fato é explicado através da cultura japonesa onde as mulheres após ter o seu primeiro filho, param de trabalhar. Diante disso as mulheres estão adiando o matrimonio e a maternidade levando a taxa de fecundidade a 1,34.
Os idosos de hoje no Japão são aqueles que após a segunda guerra mundial, fizeram parte do "milagre econômico", transformando-o em uma das principais potências econômicas do mundo. Essas pessoas se afastaram da aposentadoria e mantiveram-se na estrutura socioeconômica do país, contribuindo para a longevidade. Na cultura japonesa, o amor pelo trabalho é marcante, sobretudo entre as pessoas idosas, e para muitos, os 60 anos não significa aposentadoria e sim o início de uma nova vida profissional ou a continuidade dela. Também faz parte da cultura japonesa, atividades que promovem hábitos saudáveis o que os ajuda a enfrentar os desafios próprios do envelhecimento.
O Japão é um país peninsular, localizado na Ásia, formado por 6852 ilhas sendo que 426 são habitadas destacando-se 4 ilhas maiores. Possui 128 milhões de habitantes distribuídos em 377.887 km²; 70% vive nas cidades e 58% deste total se aglomeram nas 4 maiores cidades do país. Para efeito de comparação, o Brasil possui 197 milhões de habitantes e sua extensão territorial é de 8.511.965 km², sendo o quinto maior do mundo. O Japão tem 1822 municípios e o governo tem o objetivo de reduzir esse numero para 1000, através de fusão e dissolução, por questões administrativas e financeiras, tendo em vista que há municípios até com 200 habitantes.
No Japão, a velhice é sinônimo de sabedoria e os idosos tratados com respeito e atenção pela experiência acumulada em seus anos de vida e a figura do patriarca ou matriarca sempre foi importante.
O conceito de família e a assistência que esta presta ao idoso é cultural e específico a uma determinada sociedade. Quando os filhos se casam, não têm o hábito de sair da casa dos pais e são inclusive estimulados a continuar morando com eles. Diante disso os filhos assumem a obrigação de olhar pelos pais na sua velhice ou incapacidade, assegurando o apoio social aos idosos, sem recorrer a instituições de carácter social.Mas há uma mudança lenta nas relações sociais tradicionais embora a família continue a ter papel relevante na prestação de cuidados aos idosos. Esse fato se deve ao contato com os ocidentais e o retorno de emigrantes japoneses do Brasil, embora, pela força da tradição, a família continua a desempenhar um papel importante na prestação de assistência aos idosos.
Com a diminuição dos casamentos e consequente queda da taxa de natalidade e aumento da expectativa de vida e numero de pessoas idosas, o governo japonês está de frente com um grande desafio onde as famílias e a sociedade como um todo estão envolvidos. A mudança de postura e a fragilidade dos vínculos familiares, está diminuindo o contato dos descendentes com os idosos e muitos estão se sentindo abandonados e infelizes. O idoso que sempre foi considerado a referencia do núcleo familiar japonês, vem, gradativamente perdendo esse espaço.
Muitos idosos estão morando sozinhos e outros preferem sair de casa procurando instituições especializadas para morar. Mas como o numero de idosos no Japão é muito grande, faltam lugar para eles.
O governo japonês está também diante de um grande desafio. Dezenas de idosos com mais de cem anos de idade estão desaparecidos. Um caso que chocou o Japão, quando em Tóquio, a policia encontrou um corpo mumificado que teria morrido há mais de 30 anos e nenhum vizinho ou parente se deu conta disso. O caso está sendo investigado pela policia porque a aposentadoria continuava a ser paga e recebida. Existem ainda vários outros casos sendo investigados de idosos desaparecidos inclusive das suas próprias casas. No Japão em cada cinco idosos, um vive sozinho. No Japão, não perturbar os outros é algo sagrado. Ninguém bate à porta do vizinho para saber por que ele está sumido o que seria considerado invasão de privacidade. Embora esse povo cultive bons hábitos de vida e o envelhecimento não seja uma doença, ele impõe limites que exigem a presença de um familiar / cuidador.
Diante dessa realidade o governo japonês recomenda a criação de espaços sociais que incentivem a participação e integração social dos idosos.
Transformai uma árvore em lenha que ela arderá; mas, a partir de então, não dará mais flores, nem frutos. Rabindranath Tagore
Zulmira Elisa Vono - 2010 / Assessoria de Comunicação - Joseane Astério - Jornalista MTB 25.272?SP Produzido por: http://www.cw3.com.br As informações contidas neste site podem ser reproduzidas desde que citem a fonte.