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SAÚDE OCUPACIONAL E O ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA

por Zulmira Elisa Vono

O Brasil não é mais um país de jovens. O processo de envelhecimento está ocorrendo de maneira muito rápida, desde o final da década de 60, justo em um momento de crise econômica em que as desigualdades e os problemas sociais parecem recrudescer. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até o ano de 2025, a população idosa no Brasil crescerá 16 vezes, contra cinco vezes da população total. Isso classifica o país como a sexta população do mundo em idosos, correspondendo a mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade (Esteves, 1998).

A evolução demográfica mostra o envelhecimento e a longevidade da população brasileira, justificando a preocupação com o envelhecimento funcional, entendido como perda de capacidade para o trabalho. Esta situação soma-se ao cenário socioeconômico e político, com acentuadas desigualdades sociais, conduzindo os trabalhadores a permanecerem por tempo indeterminado no mercado de trabalho.

 

O risco à saúde dos colaboradores aumenta conforme eles envelhecem. Paralelo a este fato, o mercado de trabalho exige a cada dia maior produtividade, mais qualidade, garantindo e sustentando a permanência na atividade laboral e conseqüentemente a estabilidade econômico-financeiro.  A OIT (Organização Internacional do Trabalho) estima que cerca de 2,2 milhões de trabalhadores morrem anualmente, por acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho. Já a OMS (Organização Mundial da Saúde) calcula uma perda anual da produtividade mundial entre 10% e 20%, gerada pelos problemas de saúde dos profissionais.

 

Embora o envelhecimento humano faça parte do ciclo natural da vida e não seja um processo patológico, à medida que a idade avança, uma série de mudanças e progressiva limitação acontecem. Muitos esforços são despendidos procurando garantir uma velhice ativa e saudável, a despeito da  fragilidade que permeia esta fase.

 

Há que se considerar que os trabalhadores, em maior ou menor grau, têm no desempenho de suas funções, demandas cognitivas, muito embora seja alto o percentual de diagnósticos de afastamento ocupacional por doenças músculo-esqueléticas e lesões, neurológicas incluindo distúrbios emocionais, respiratórios, digestivos, dermatológicas e cardiovasculares.

O rápido avanço tecnológico transformou o ambiente de trabalho em ambiente fechado, com iluminação artificial, uso de ar condicionado, além de muitas tarefas dependerem de adaptações como, por exemplo, a operação de computador, o que pode gerar estresse psicológico.

 

Falar de envelhecimento humano para funcionários de uma empresa, não significa somente dizer do seu próprio envelhecimento, mas também entender que muitas vezes o seu desempenho no trabalho é atingido por situação familiar onde há pessoas idosas, com comprometimentos cognitivos e limitações para atividades da vida diária, gerando custos e desgastes emocionais que afetam a sua produtividade.

 

Um programa de qualidade de vida e envelhecimento ativo quando aliado a  programa de saúde ocupacional, melhora consideravelmente as condições de vida dos colaboradores e conseqüentemente da empresa. Através dele, poder-se-á reduzir grande parte dos problemas existentes principalmente aqueles de responsabilidade direta dos funcionários. A elaboração e implementação do programa deve envolver os setores de segurança e saúde do trabalhador, conscientizando-os que a qualidade de vida é fundamental para o bom desempenho do funcionário, e não apenas um simples modismo. A participação deverá ocorrer de forma ativa e os colaboradores não devem apenas ser tratados como recebedores de informações.

 

Deve contemplar informações sobre as alterações normais do processo de envelhecimento, trabalhando o autoconhecimento e a compreensão desta fase da vida. Deve ainda, sensibilizar sobre as diferenças entre as manifestações inerentes ao processo normal de envelhecimento (senescência) e o patológico (senilidade). As vantagens oriundas desse atendimento especializado são imediatas e de alcance social com reflexos no aumento da produção/produtividade, na diminuição do absenteísmo por problemas de saúde, sem contar com o grau de satisfação que se instala no ambiente de trabalho, com reflexos até mesmo na melhoria do ambiente familiar de cada colaborador.

Não podemos nos ater somente à exigências legais e regulamentação em vigor, centrada no conceito de saúde apenas como ausência de doenças, sem valsar no bem-estar psicossocial. Também não devemos desconsiderar as adaptações funcionais necessárias diante do envelhecimento. A capacidade para o trabalho representa o quanto o colaborador está bem no momento, num futuro próximo e o quanto está apto para realizar seu trabalho com relação às exigências, à saúde e aos recursos mentais. Há que se considerar também o significado da manutenção de sua própria saúde e como é sua auto avaliação para a capacidade de trabalho.

 

O envelhecimento pode causar dificuldades na execução de tarefas, associado à demanda física que pode refletir na saúde geral.

 

Promover a saúde ocupacional e a qualidade do envelhecimento dos funcionários, significa trabalhar a humanização do relacionamento empresarial, valorizando habilidades, competências e desempenho, motivação, auto-estima, diminuindo o absenteísmo, colaborando para um envelhecimento ativo, menos oneroso e mais feliz, a despeito das limitações impostas pelo envelhecimento.

 

Zulmira Elisa Vono - 2010 / Assessoria de Comunicação - Joseane Astério - Jornalista  MTB 25.272?SP
Produzido por:
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